Casamento
Quais
são os termos envolvidos no contrato de casamento?
Este contrato envolve duas coisas: primeiramente, um presente do marido
à esposa, que pode ser uma soma em dinheiro, um objeto de algum
valor tal como um anel, ou coisas não-materiais como a aceitação
do Islam ou ensinar uma parte do Alcorão (1).
Segundo, um compromisso de ambas as partes de tentar fazer a vida fisicamente
confortável e fornecer felicidade emocional, psicológica
e espiritual para o outro, com a responsabilidade de cuidar das necessidades
econômicas que recaem geralmente nos ombros do homem.(2).
No momento do casamento ambos os cônjuges devem ter a maior intenção
possível de manter o compromisso de casamento pelo resto da vida,
embora sob algumas circunstâncias extremas possa talvez ser possível
participar em um contrato de casamento em bases temporárias.(3)
Mesmo que o compromisso de casamento se realize para toda a vida, se
acontecer que depois da união os dois cônjuges descobrirem
ser impossível viverem juntos, a lei islâmica providencia
meios para o término do contrato de casamento.
O
término do contrato de casamento pode ser iniciado por qualquer
das partes que decidir que a outra parte não pode ou não
cumprirá satisfatoriamente o compromisso implícito no
contrato de casamento, a saber, fornecer suficiente felicidade física,
emocional, psicológica e espiritual.
É evidente que o julgamento a respeito se um cônjuge está
tendo satisfação suficiente em sua união é
subjetivo e pertence conseqüentemente inteiramente ao cônjuge.
Conseqüentemente, a dissolução do casamento no Islam
não requer que um cônjuge prove à alguma autoridade
tal como uma corte, que houve uma falha da parte do outro cônjuge
no cumprimento de suas obrigações conjugais. É
bastante que o cônjuge insatisfeito diga que ele ou ela não
sentem mais amor ou respeito pelo outro cônjuge para ser capaz
de continuar vivendo com ele ou ela.
Terceiras partes tais como parentes, a comunidade, etc. devem certamente
(4:35) ser envolvidos em algum estágio das dificuldades da união
e tentar impedir o rompimento dela, através de conselhos, etc.;
mas não podem obrigar nenhum cônjuge a permanecer na união,
como por exemplo é o caso da igreja católica ou da tradição
hindu, que obriga os casais a permanecer atados na união até
que um dos cônjuges morra.
Um homem pode dissolver
a união depois de um procedimento prescrito, sendo que os detalhes
não nos concernem aqui. Uma mulher pode dissolver a união
pedindo ao marido para divorciá-la e se ele recusar, ela pode
recorrer à corte que deve arranjar os termos de dissolução
com relação à compensação e requisitar
ao marido a dissolução do casamento. (4) Para evitar este
procedimento a mulher pode incluir no contrato de casamento a condição
de que ela pode dissolver a união sem ter que recorrer à
corte.
A parte que inicia
o divórcio pode ter que pagar alguma compensação
à outra parte. Esta compensação pode ser o retorno
do presente de casamento no caso da mulher iniciar o divórcio(5)
e pagamento de pensão no caso do homem tomar a iniciativa.(6)
Outra vez, os detalhes desta matéria está fora do contexto
deste artigo.
O
grau através do qual o marido tem um direito maior. Na descrição
acima do ponto-de-vista legal do casamento no Islam, o homem e a mulher
são parceiros completamente iguais a não ser nos seguintes
aspectos:
1) Ambas as partes tem responsabilidade igual de prover a felicidade
física, emocional, psicológica e espiritual à outra,
mas os homens têm geralmente a responsabilidade adicionada de
prover as necessidades econômicas da esposa.
2) No caso em que o marido inicia o divórcio, ele está
obrigado pela lei religiosa a pagar algumas despesas de manutenção
(2:241). Esta pensão pertence à esposa por direito. Entretanto,
quando a mulher inicia o divórcio ela não paga nenhuma
compensação ao marido como exigência da lei religiosa;
necessita na maior parte dos casos retornar o que recebeu do marido
como dote, se tal devolução for útil no estabelecimento
de um acordo amigável. (2:229)
3) Um homem pode divorciar sua esposa enquanto uma mulher necessita
seguir procedimentos através da corte ou introduzir no contrato
de casamento uma cláusula que dê a ela o direito de se
divorciar de seu marido.
Com respeito às diferenças acima o Alcorão diz:
" E (as esposas) terão direitos similares àqueles
(que os maridos têm) sobre elas, de acordo com a justiça,
(exceto que) os direitos dos maridos são um grau maior."
(2:228) "Maridos são guardiões (qawwamun) das esposas
porque Allah (swt) favoreceu alguns mais do que outros e porque (isto
é, os maridos geralmente) dispendem de seus bens." (4:34)
A primeira das duas afirmações corânicas acima ocorre
em uma passagem longa que lida com o divórcio e deve ser compreendida
dentro desse contexto. O grau em que os direitos do marido são
maiores deve conseqüentemente ser compreendido como o grau em que
o marido é mais livre do que a esposa para terminar a união.
Este, entretanto, não é um grau muito maior uma vez que
como indicado anteriormente, a esposa pode sair da união sempre
que quiser, praticamente sem dar nenhuma razão. Significa apenas
que tem que seguir um procedimento mais indireto. A segunda afirmação
corânica se refere à maior responsabilidade que os maridos
tem geralmente como protetores e provedores das mulheres e ao maior
poder de decisão que isto os garante.
O fato de que os
direitos do marido são um grau maior não afeta a reivindicação
de que no Islam homem e mulher têm direitos iguais, uma vez que
os direitos maiores que o homem tem dentro do casamento não implicam
que o homem também goze de maiores direitos fora deste relacionamento,
e uma vez que os direitos maiores do homem dentro do casamento são
totalmente justificados por sua maior responsabilidade.
Nós devemos recordar aqui que sempre que falamos sobre membros
de uma sociedade que tem direitos iguais, não é nunca
excluída a possibilidade de que os membros dessa sociedade possam
livremente participar em acordos em que alguns assumem maior responsabilidade
e conseqüentemente têm também direitos maiores.
A igualdade de direitos só pode ser afirmada na suposição
de igualdade de responsabilidades. Este princípio trabalha às
vezes a favor das mulheres.
Por exemplo, como mães as mulheres dão muito mais às
crianças do que os homens enquanto pais, e assim o Islam reconhece
direitos maiores das mães sobre as crianças do que os
dos pais a não ser que onde as considerações econômicas
exigem de outra forma.
Notas:
(1) ( (1) Veja o hadith citado anteriormente no qual o dote do casamento
consiste no marido ensinar uma parcela do Alcorão Sagrado à
esposa. No hadith seguinte consiste do marido aceitar o Islam: "Umm
Sulaym tinha se tornado muçulmana antes de Abu Talha e quando
ele a pediu em casamento ela disse: "Eu me tornei muçulmana...
(2)
Veja Alcorão 4:34. A esposa pode, entretanto, de livre e esponânea
vontade compartilhar de parte da responsabiliade econômica. Khadijah
ajudou ao profeta e Asma, filha de Abu Bakr, ajudou seu marido pobre,
Zubayr.
(3(3) Esta é a opinião dos xiitas. As tradições
sunitas admitem que a união provisória foi por algum tempo
permitida no Islam, mas dizem que foi posteriormente proibida.
(4) Veja Alcorão 2:229 à luz do seguinte hadith: "
A esposa de Thabit bin Qays veio ao profeta e disse, " Mensageiro
de Allah (swt), eu não repreendo Thabit bin Qays com respeito
ao caráter ou religião mas eu não quero ser culpada
de descrença com relação ao Islam (significando
que ela não gostava dele o bastante como marido e assim estava
receosa de não poder dar a ele respeito e amor devido a um marido)."
O mensageiro de Allah (swt) perguntou-lhe se ela devolveria a Thabit
seu jardim, e quando ela respondeu que sim , o profeta disse a ele para
aceitar o jardim e declarar o divórcio." (Bukhari, Nasa'i,
Tirmidhi, Ibn Majah e Bayhaqi, na autoridade de Ibn Abbas)
(5) Veja o hadith citado na nota precedente. A esposa não é
obrigada pela lei religiosa a pagar a compensação e tem
que fazê-lo somente como parte de um acordo com o marido. (Alcorão
2:229)
(6) “Para as mulheres divorciadas uma manutenção
razoável (deve ser fornecida). Este é um dever dos virtuosos."
(Alcorão 2:241)